sábado, 13 de fevereiro de 2010

Sávio Hackradt, um comunista potiguar rumo ao Senado - 2ª PARTE

Nominuto: Quem é Sávio Hackradt?
Sávio Hackradt: Eu sou natalense, nasci na Rua Trairi, quase na subida do Morro de Mãe Luiza. Morei ali até os 25 anos. Saí de lá quando casei com Dodora Guedes, jornalista e mãe de nossos três filhos. Passei minha infância em Petrópolis. Fiz o primeiro e o segundo ano primário no antigo Colégio 7 de Setembro, que hoje nem existe mais.

Depois fiz o terceiro ano primário no Colégio Marista. De lá saí para a UFRN. Fiz meu primeiro vestibular e passei em Estatística, mas só aguentei três ou quatro meses. No ano seguinte eu fiz Jornalismo, e me formei em 1980. Na UFRN eu me encontro com o PCdoB, através de Glênio Sá [estudante, principal dirigente do partido no RN naqule momento], que tinha acabado de sair da prisão e tinha sofrido muito com a tortura.

Com Glênio, a gente começa a construir o partido. Já na universidade eu fui liderança estudantil, liderei greves, movimentos, passeatas; era plena ditadura naquela época. Então, eu estava na frente dos principais movimentos estudantis da UFRN. Eu já estava na atividade política ali com o PCdoB. O partido era clandestino. A gente passou a atuar nos sindicatos rurais, sindicatos urbanos e fazer política, lutar contra a ditadura, fazer o movimento pela anistia.

Fundamos aqui o Conselho de Direitos Humanos e o Movimento de Mulheres. Tudo isso é da nossa época. Paralelo a isso, já no primeiro ano de faculdade, eu começo a trabalhar no jornalismo na TVU. Depois, no Diário de Natal e, em seguida, sou convidado para a TV Globo Nordeste. Termino meu curso em 1980, mas já em 1978 eu tinha participado da campanha de Radir Pereira ao Senado. Era Radir Pereira (MDB) contra Jessé Freire (Arena), na época da "paz pública".

Em 1982 eu participo já profissionalmente da campanha de Aluízio Alves (PMDB) para o governo contra José Agripino (PDS). Foi a maior derrota da história de Aluízio. Naquela época o voto era vinculado. Fui o primeiro repórter da TV Globo no RN. Aqui só tinha TVU. Canal privado não tinha. Na verdade a implantação da TV privada no RN começa comigo. Depois eu saio e vou para Brasília.

Nominuto: Você foi para Brasília em que ano?
SH: Eu fui morar em Brasília em 1985, que é o ano do início da Nova República. Fui convidado por Aluízio Alves para ser assessor de imprensa no Ministério da Administração do governo Tancredo-Sarney. Quando eu cheguei, Tancredo estava naquela agonia. Sarney assumiu, mas Tancredo ainda estava hospitalizado e só morreu em abril.

Eu vivi um momento fundamental da história política do Brasil. Era a redemocratização do Brasil. Eu estava lá e era a pessoa do ministro. Assisti, presenciei os bastidores, porque aí, como assessor de ministro, a gente circulava dentro dos Ministérios, Palácio do Planalto e Congresso Nacional. Eu convivi muito perto da política nacional, ao lado de um craque da política do RN que era Aluízio Alves. Aprendi muito. Em 1985, vem a primeira eleição direta para prefeito da capital.

Eu vim aqui para ajudar na eleição de Garibaldi contra Wilma. Em 1986, tem eleição direta para governador, já com Geraldo Melo. Eu sou o cara que faço o horário eleitoral de Geraldo Melo, apresentando, fazendo matérias, eu sou o cara que ponho a cara na televisão pelo PMDB. Você veja que a minha vida está sempre ligada à política, desde a universidade. Eu fui também presidente do sindicato, fundei a cooperativa dos jornalistas, sempre tive no meio, sempre disputando voto e ganhando.

Na cooperativa a gente tinha um jornal chamado "Salário Mínimo", que era o único jornal combativo. Todos os outros eram comprometidos. Você tinha a Tribuna do Norte dos Alves, que se não tivesse no governo estaria fazendo oposição. Não tinha jornal independente. Carlos Eduardo Lins e Silva, que virou ombudsman da Folha de São Paulo, foi um dos fundadores do jornal.

Na época ele morava aqui, porque estava ensinando na universidade. Então, o jornal tinha uma combatividade muito grande em Natal. Isso tudo aí, a gente vai caminhando na política. Depois que Geraldo Melo ganha, eu volto para Brasília. Aí vem a Assembleia Nacional Constituinte (ANC), que é o grande momento da vida política nacional. Nós chegamos aqui, mas antes teve a ANC.

Nessa época eu deixei o Ministério da Administração e fui ser repórter da TV Record de São Paulo, que não era da Igreja Universal do Reino de Deus naquela época; era da família Paulo Machado de Carvalho. A TV Cabugi estava começando aqui também. Por isso eu fazia matérias para ela. Então, eu convivi de 1987 até 1988, quando foi promulgada a Constituição, com os maiores ídolos políticos do Brasil todos os dias, todas as semanas.

Eles frequentavam minha casa. Isso me deu uma bagagem de conhecimento político nacional, sobre o funcionamento da Câmara e do Congresso, muito grande. Entre os que frequentavam minha casa, tinha o doutor Ulisses Guimarães, Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso, por exemplo.

Nominuto: Como nasceu a candidatura logo ao Senado e pelo PCdoB?
SH: A política é uma coisa que corre nas minhas veias. Eu tenho prazer em fazer a política. Então, já convivi em todo tipo de campanha. Por que não ao Senado? Antes de perguntar por que ao Senado, é preciso perguntar por que não ao Senado. Você veja o seguinte: o senador José Agripino começou a carreira política dele logo nomeado prefeito de Natal.

Se ele pode isso, por que um cidadão não pode [se candidatar]? Eu, como qualquer outro cidadão, tenho direito. Eu tenho conhecimento da política, conheço a política do Rio Grande do Norte. Apesar de eu ter ido morar fora, profissionalmente, politicamente, eu nunca saí daqui.

Nominuto: Você voltou em que ano para Natal?
SH: Eu voltei agora. Eu nunca saí daqui porque nunca mudei meu título eleitoral. A minha residência eleitoral sempre foi em Natal. A cada dois anos, eu venho e voto ali no colégio Atheneu.

Nominuto: Qual a motivação para encarar essa candidatura?
SH : O Rio Grande do Norte precisa de alguém que desafie o status quo político. O Rio Grande do Norte precisa de um novo caminho na política. Não é possível que somente esses que estão aí há quase 40 anos no poder, se revezando de cadeira, continuem do mesmo jeito. É preciso modificar isso, é preciso alguém ousar.

O PCdoB entendeu que chegou a hora de ousar. O partido me convidou e eu aceitei o desafio, porque a briga é com gente grande. É ótimo enfrentar grandes desafios. A minha vida foi de enfrentar grandes desafios. Por que não enfrentar três ex-governadores? São duas vagas. Eu preciso de um voto, não preciso de dois.

Nominuto: Com relação às vagas, o PCdoB está na base da governadora Wilma e do presidente Lula. Como o partido está discutindo essa questão das alianças?
SH: O partido está acertado com o seguinte: primeira coisa, o partido está alinhado nacionalmente com o projeto do presidente Lula. O nosso campo político é o campo do presidente Lula. Estamos lá dentro desse campo. Descendo, nós vamos fazer aliança com partidos que estejam nesse campo. Portanto, nós não fazemos aliança com o DEM nem com o PSDB.

As questões locais terão que ser definidas dentro das circunstâncias locais, em cada estado, inclusive no RN. O PCdoB está apresentando a minha candidatura para compor uma das vagas ao Senado. Se nós vamos estar compostos com [a governadora] Wilma de Faria ou não, nesse momento nós não sabemos.

Por exemplo, se o PSB tiver candidato a presidente com [o deputado federal] Ciro Gomes, nós não vamos estar com ele. Vamos estar com [a ministra da Casa Civil] Dilma Rousseff. Então, Wilma vai sair num campo e nós vamos sair em outro aqui.

Nominuto: No arco de alianças da governadora e do PSB, se, por exemplo, entrar outro nome, como o deputado federal João Maia do PR...
SH: Nós não saímos [juntos]. Nós achamos que o campo progressista, popular e democrático do RN tem que ter alguém na disputa majoritária. Não é possível ficar só os conservadores. Nós respeitamos todos eles, João Maia, Iberê, Robinson, todos eles, sem problemas. Agora, nós achamos que esse campo das forças populares e democráticas precisa ter alguém na disputa majoritária.

Nominuto: Se não houver espaço na composição majoritária para as forças de esquerda...
SH: Nós vamos sair. Se o centro do conservadorismo fechar todos os espaços, nós não sairemos juntos. Não é possível isso.

Nominuto: Qual seria a alternativa da esquerda?
SH : Nós vamos apoiar Dilma e o candidato a governador desse campo. [O ex-prefeito de Natal] Carlos Eduardo (PDT) é um dos nomes que está posto. O PCdoB acha que Carlos Eduardo tem que estar nessa discussão majoritária. Ele não pode simplesmente ser descartado.

O vice-governador [Iberê Ferreira de Souza] tem todo o direito de ser o candidato do PSB. Qualquer um que estivesse na cadeira dele seria um candidato. Agora, para se chegar ao governo é preciso conversar sobre isso aí. Para conversar, tem que estar na mesa também a candidatura de Carlos Eduardo.

Nominuto: O senhor não teme o rolo compressor da governadora Wilma de Faria passe por cima e o deixe sozinho nesse pleito rumo ao Senado?
SH: Não, primeiro porque essa é uma decisão do partido aqui e nacionalmente. Nós tivemos uma reunião de mais de três horas, em Brasília, com a direção nacional do partido, onde foi colocada a importância e a prioridade da minha candidatura aqui no Rio Grande do Norte. Isso não é um desejo meu.

Não é o desejo apenas de alguém do PCdoB. É um desejo partidário nacional de que eu seja candidato. Evidente que está na mesa com apoio da direção nacional e estadual. Se alguém não quiser, vai ter que me vetar e dizer por que eu não posso ser candidato.

Nominuto: Em caso de veto à sua candidatura, o senhor disputaria outro cargo?
SH: Não está em nosso horizonte. Nunca discutimos isso.

Nominuto: O senhor acompanha intensamente o cenário político em Brasília e, principalmente, no Congresso Nacional. Qual é o perfil de senador que o parlamento necessita atualmente?
SH: No Senado, criaram essa fantasia de que para ser senador precisava ser governador, precisava ter esse status porque daria mais credibilidade. Então Lula nunca seria presidente. Ele nunca poderia ser candidato.

Se ele foi candidato a presidente da República e não foi governador, por que eu não posso ser senador? O que precisamos é acabar com essas fantasias de que só eles que estão no poder podem ser senadores. Precisamos de um discurso moderno, antenado com o mundo. O mundo mudou e todos têm que ver isso.

Por que o Rio Grande do Norte não vai mudar? Vai permanecer com as mesmas pessoas que estão no poder há quarenta anos? Precisamos de sangue novo, novas ideias conectadas com o mundo, não apenas a questões paroquiais.

Nominuto: Como o marqueteiro Sávio Hackradt pensa em convencer a população sobre essa necessidade de mudança?
SH: Na campanha eu não vou ser o marqueteiro. Vamos ter o marqueteiro (risos). Mas acho que a mudança está posta na sociedade. A população pode até não ter a visão que achamos que temos, pode não ter a elaboração discursiva como a dos políticos, como a minha. Mas a população quer mudar isso que está aí, que está vendo que não está dando certo.

O que é que o Rio Grande do Norte avançou nesses 40 anos, com essa elite? O nosso estado não tem capacidade de investimento. Depende inteiramente de dinheiro dos programas do governo federal e dos empréstimos. Todos os meus adversários passaram por todas as instâncias do governo. É preciso dar um novo caminho. O nosso partido quer dar essa alternativa. É preciso mudar.

Lula foi a mudança para o país, mesmo que muitos não acreditassem. Hoje ele está aí e fez o papel dele. É preciso que tenhamos aqui no estado uma representação fiel da população. Será que a população atualmente se sente representada pelos nossos senadores?

Nominuto: Como o senhor avalia o trabalho desenvolvido pelos senadores José Agripino (DEM) e Garibaldi Filho (PMDB)?
SH - É um trabalho comum aos outros senadores, a mesma coisa. Se retroagirmos aos outros senadores, o que tem de novo?

Nominuto: Garibaldi foi presidente do Senado e Agripino é líder de oposição...
SH: E o que nós avançamos com isso? Houve alguma perspectiva de mudanças? O que Garibaldi fez como presidente do Senado? José Agripino vai completando 24 anos de mandato, mas o que ele faz lá? Oposição raivosa a Lula. É só esse o papel de um senador? Ficar discutindo emendinhas de Orçamento, que não se concretizam, porque todo mundo sabe que é uma ficção?

Nominuto: Qual seria, em sua opinião, o papel de um senador?
SH: Mudar o que está ocorrendo, cobrar que esse Orçamento seja real, impositivo. Ficando desse modo inerte, o que é que se resolve? O Brasil quer um Senado conectado com o mundo. O Senado representa a Federação. Então, as questões do Brasil que precisam ser discutidas não são as questões paroquiais.

O Brasil chegou ao patamar de protagonista das grandes discussões e negociações do mundo. Os nossos senadores precisam estar preparados para isso, discutir o novo mundo que está aí. Se o estado não entrar nisso, vai ficar fora da discussão. Vai ficar preocupado aqui com acordos políticos e "carguinhos".

Nominuto: O senhor não aparece em pesquisas eleitorais e os três principais candidatos, Wilma, Agripino e Garibaldi, disputam entre si a preferência da população neste momento. Como o senhor vai fazer para mudar esse quadro?
SH: Aí eu falo com a experiência das campanhas políticas que já fiz. O processo só começa a se elaborar na cabeça do eleitor a partir de agosto, quando começar a propaganda política na TV. Por enquanto, tem muito "blá, blá, blá". Eu estou chegando agora. Os outros estão aí há quarenta anos, mas não tem nenhum deles seguro. Todos estão com medo da eleição.

Esse processo é lento, é acumulativo, é de convencimento do povo. Vou me apresentar com uma ética, comprometido com os movimentos populares. Vou fazer uma campanha dentro da legislação, sem fugir um milímetro, dentro dos padrões éticos. Vou enfrentar todos no discurso, no campo político. Vamos para o embate. Vou argumentar e contra-argumentar. Eu tenho o que debater.

Querem falar sobre as grandes questões internacionais que o Brasil está inserido? Então vamos debater. Querem debater sobre as questões do Brasil? Vamos debater. Vamos falar sobre como colocar o Rio Grande do Norte no novo caminho que está sendo construído. Ninguém discute isso, mas eu vou cobrar essa discussão.

Nominuto: Como candidato ao Senado antenado com as questões nacionais, o que o senhor espera da eleição presidencial?
SH: A tendência é uma eleição com caráter plebiscitário. As opções são: continuar o projeto do presidente Lula, avançar mais ainda, ou não. É o campo de quem quer continuar contra os que querem fazer diferente. Acho muito cedo para fazer projeções de resultados.

Tudo isso muda muito, é só vermos as eleições no Rio Grande do Norte. Garibaldi, em julho de 2006, tinha mais de 60% dos votos e era o "governador de férias", mas perdeu. Nesse momento não se deve ter preocupação com pesquisas. No quadro nacional o que teremos será isso mesmo, uma disputa plebiscitária.

Nominuto: O trabalho da pré-campanha do PCdoB já começou? Como está essa discussão?
SH - O PCdoB no RN é pequeno, mas bastante aguerrido. Já estamos em contato com as bases para, neste mês, começar a percorrer o estado e trabalhar para conseguirmos formar uma grande aliança com os partidos que estão na mesma linha que a nossa.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Sávio Hackradt, um comunista potiguar rumo ao Senado - APRESENTAÇÃO

"A política é uma coisa que corre nas minhas veias". Hackradt


Sávio Hackradt, um comunista potiguar rumo ao Senado

Pré-candidato ao Senado pelo PCdoB do Rio Grande do Norte, o marqueteiro e jornalista Sávio Hackradt conta, nesta entrevista ao portal Nominuto como iniciou sua militância política, revela um pouco dos bastidores do poder em Brasília - onde viveu na época da redemocratização do país - e comenta o cenário político do estado.

Por Alisson Almeida e Júlio Pinheiro, do portal Nominuto

Hackradt fala com entusiasmo da experiência como jornalista, defende a renovação da política potiguar e avisa que os comunistas não subirão num palanque dominado pelos "conservadores". "Não é possível ficar só os conservadores. O Rio Grande do Norte precisa de um novo caminho na política."

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O autoconhecemento: primeiro passo do amor

Na intensa linha à qual o tempo nos faz viver e compreender as mais diversas situações, componho um novo ser, em uma nova esfera. Há quem diga que se conhecer seja viver, viver e viver... deixando passar despercebidas as críticas que devemos fazer a nós mesmos, sobre nossas próprias vulnerabilidades. É nessa conjuntura perdida em algum lugar complexo, cheio de labirintos onde só existe uma saída certa e outras tantas erradas nos levando, sem que percerbarmos, a lugares cada vez mais escuros que minha essência se encontra. Se não tiver o discernimento de colocar em prática o axioma socrático: "uma vida sem busca não é digna de ser vivida", perder-me-ie em meu talante inconseqüente. Devo primeiramente encontrar minha essência, saber, de fato, quem sou, de onde venho e, por fim, para onde vou. Mergulhado nessas indagações perderei o fio condutor que rege meus ideais, minhas motivações. Assim, prefiro esquecer, por um pequeno momento, quem sou, de onde venho e para onde vou, e enfatizar a profunda busca por minha essência: o amor! Não sei, ao certo, por onde começar, mas me recordo que cada vez que me vejo só, preso em meus intrigantes pensamentos ou em companhia de alguém que me faça sentir melhor, surgem naturalmente indagações complexas sobre mim, sobre minhas certezas... É como se eu iniciasse um novo processo de auto conhecimento em uma fase mais elevada. Portanto, em meus momentos de solidão ou em companhia de alguém que me compreende e, assim, faça-me feliz, mesmo efemeramente, percebo significativos passos positivos em minha incansável busca pela felicidade.
Recentemente encontrei uma nova motivação para fortalecer meus ideais, algo ou alguém que , despercebidamente, isto é, naturalmente, protagonizou um forte momento em mim. Andava intrigado do divino e ainda me vejo em uma crise espiritual, pois creio que se ninguém pensar em Deus, falar Nele ou cultuá-lo, Ele simplesmente desaparecerá. Assim não seria Deus o criador do homem, mas o homem, detentor ilimitado da razão, criador de Deus. No entanto, não posso negar a natureza espiritual existente muito ativamente em mim. Sou, por excelência um ser espiritual e, por isso, talvez, tenha tanta liberdade de conversar com meu ser superior e, por vezes, questioná-lo. Isso não é ateísmo, é amar com liberdade, poder manter um diálogo aberto e sem preconceito com Deus. Sofri alguns preconceitos por pessoas que se limitam em crenças metódicas, limitadas por conceitos humanos e com um profundo medo de indagar: Deus existe? Posso ser feliz sem Deus? Religião salva? Quantas inquirições ricas, mas cercadas de preconceitos. Pois bem, encontrei-me comigo mesmo aprendi que a companhia de alguém é a pedra angular de nossa felicidade. De fato, o homem não é uma ilha.
O homem nasce preso às suas limitações, a sua ignorância, a pior das prisões. Ao longo da vida vamos erigindo momentos de libertação, ou seja, de conhecimento. Realmente o pensador Francis Bacon foi feliz ao dizer: "saber é poder". A cada nova experiência, novo amanhecer; novas motivações, novas metas. Compomos a singeleza de nosso ser e a reflexão dessa vida singela a torna a máxima realeza que podemos desfrutar. Meu último processo de autoconhecimento deveu-se às pessoas de Magneide de Oliveira, Ana Paula, Maria Jussara, Juquinha ambos da comunidade distrital de Melancias, Apodi-RN. Nos seis dias que passei lá encontrei algo que há muito minha vida de dedicação aos estudos, intensas leituras não me deram: a essência de belas amizade. Não aprendi em nenhum livro como as relações interpessoais se dão, mas no convívio com cada pessoa nova, preocupada consigo e livre para novos conhecimentos. Enfatizo que sou um simplório apreciados da essência humana e, como tal, faço de cada amizade o processo que gera o amor: conhecer-se e conhecer alguém.
Sobre minhas novas amizades posso afirmar que componho a cada minuto motivações intrínsecas que me garantam a confiabilidade que preciso para amar e ser amado, utopia nos dias atuais. Enquanto as pessoas procuram desesperadamente um novo relacionamento, uma nova aventura justificada no nome de algum sentimento tento me conhecer acima de tudo. Acredito infalivelmente que só se pode chegar a plena compreensão e vivência do amor quando entendemos a profunda subjetividade deste sentimento e seus pontos de partida e chegada, pois o amor é tão subjetivo que cada amante compõe para si um conceito, um ideal. Mas este mesmo amor traz consigo seus pontos de partida e de chegada. O primeiro refere-se a conhecer-se e o segundo a conhecer alguém. Assim prefiro tragar meu tempo me conhecendo, portanto, me amando. Creio, ainda, que só existe amor em uma relação onde ambos primeiramente se conheçam e tomem posse de sua realidade. É como diz a canção: "viver é melhor que sonhar".
O curto tempo na companhia de novas amizades serviu-me para entender que o tempo não compreende o íntimo de cada ser e que não tem autonomia para definir relações. Sejamos o senhor de nosso tempo, de nosso destino, pois o tempo se limita ao externo de cada ser, nosso íntimo é algo profundamente desconhecido por ele. Às vezes custamos para descobrirmos a grandeza de alguém, outras vezes, porém, temos a facilidade de bebermos da fonte que se encontra na essência de de uma mesma pessoa. Assim foi minha experiência em Melancias. Saí mais maduro e convicto de que, embora não consiga me conhecer plenamente, alguém me ajudará nesta árdua missão. Não estou só. A via do autoconhecimento só é possível quando trilhada com alguém.

Abraços ao simplório povo real de Melancias, Apodi-RN.

Meus agradecimentos a Magneide;
Meus abraços a Ana Paula;
Minhas palavras de apoio a Juquinha e, por fim,
Meu silêncio a Jussara, símbolo do autoconhecimento, pre-suposto primeiro para o amor!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Nossa luta

"Uma vida sem busca não é digna de ser vivida" - Sócrates

Salve, salve 2010! Trouxe consigo o fim da primeira década do terceiro milênio. Que grandeza! Trouxe ainda, e na mesma velocidade, inúmeras mortes lideradas pela natureza. Que trizteza! Trará sucesso ou decadência? Alegria ou Tristeza? Felicidade, quem sabe... Início ou Fim? Horizonter ou barreiras? Prisão ou liberdade? Bem, isso não cabe primeiramente ao tempo e suas trajetórias ora turvas, ora sintilantes. Cabe a nós, senhores do próprio destino. Alegremo-nos por estarmos dentro de um contexto social que, embora nos oprima, sabemos, quando unidos, a maneira certa de mudarmos a rota.
Salve, salve, os universitários do período da ditadura militar: quantos não dedicaram seu tempo e suas vidas planejando uma solução para este país que mergulhava na intensa opressão social? Quantos não cantaram o hino nacional com amor recriando seu orgulho e seu sentimento patriota por um pais que se libertara das garras faroz dos militares? Quantos não saíram às ruas gritando: "Que país é este?" Quantos não proferiram votos de fidelidade a sua pátria, independentemente de quem a liderasse (líderes ingratos!) Quantos não motivaram seus visinhos, familiares e amigos a lutarem pela libertação? Onde se perdeu o espírito de luta de nosso povo, marcado pela tristeza que seus representantes lhes impõe? nde os universitário jogaram seus ideais? Muitos dizem que os tempos mudaram e com tais mudanças, deu-se início a uma decadência socio-cultural do povo. As universidades não articulam mais movimentos sociais capazes de influnciar sociedade e fazê-la refletir as principais causas de suas deficiências...
Nossa cultura está se desfragelando, caindo no misterioso mar de incertezas deste país, onde nada se vê, nada se faz... É incumbência nossa buscarmos incessantemente nossos direitos, nossas honras, mas sobretudo nosso prestígio socio-cultural.
Neste novo ano, sentimos a necessidade de olharmos em volta e percebermos as deficiências de nossas vidas, de nossas famílias, amigos, estudos... Tudo parece ir mal ou, quando vai bem, logo passa. Precisamos de estabilidade em nossos afazeres, em nossas metas e, para isso tudo, devemos contar primeiramente com o espírito de luta que tanto fomentou as conquistas dos gregor antigos: um espírito alicerçado no compromiço de suas próprios ideais. Não abriam mão do que queriam... Vivam os gregos!
Mas, em essência, o que queremos? Muitas vezes, sequer sabemos para onde vamos, o que faremos: "o acaso vai me protejer enquanto eu andar distraído" Deus me livre! Livre-me de uma dia ter que dizer: "Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer. Devia ter arriscado mais e até errado mais, ter feito o que eu queria fazer. Queria ter aceitado as pessoas como elas são, cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração... Deivia ter complicado menos, trabalhado menos, ter visto o sol se por. Devia ter me importado menos com problemas pequenos, ter morrido de amor. Queria ter aceitado a vida com ela é, a cada um caba a alegria, e a tristeza que vier..." Eita que vida triste essa! Prefiro a do poeta caipira Renato Teixeira: "Cada um de nós compõe a sua história e cada ser, em si, carrega o dom de ser capaz, de ser feliz..." Livra-me da primeira e guarda-me para a segunda!
A libertação que desejamos se prende ao medo que sentimos, torna-se quase utópica. Ficamos dependente de algo ou alguém. Isso não. De novo não! Chega! "Se não me deixarem falar, eu gritarei; se não me deixarem gritar eu gesticularei, mas não há nada neste mundo que me impedirá" de lutar em prol da igualdade social.
Lutemos! Tenhamos disposição para brigar pelo que é nosso, mas antes, busquemos saber o que, de direito, nos pertençe...
Mude sua realidade com a mesma intensidade de seus sonhos!

domingo, 3 de janeiro de 2010

Ao povo de Riacho da Cruz

Ao som de músicas como “canção do exílio”, “caminhando e cantando” e outras tantas que, de maneira singular, expõe o labor de cada cidadão brasileiro, sinto-me em comunhão mais profunda com meus conterrâneos riachocruzenses, sem exceção. A todos meu simplório voto de felicidades em 2010!
Neste novo ano, sejamos solidificados no desejo de libertação e união das bases populares e que esta união nos proporcione resultados benéficos. Em 2010, ano das eleições presidenciais, teremos mais uma singular oportunidade de definirmos nossos representantes e que, nossas decisões sejam de total consciência nossa.
De modo específico, falo em nome de Riacho da Cruz–RN, cidade pequena do oeste potiguar. Nós, cidadãos riachocruzenses devemos abraçar o espírito cristão da luta em favos dos menos privilegiados. Somos, a todo o momento, massacrados de inúmeras formas às quais não conseguimos, sequer, sistematizar uma forma de defesa, ou pelo menos de esperança. Chega-se a hora por nós tão aguardada: a hora de unirmo-nos em prol de nossos ideais, de nossa família de dizermos que ainda temos voz ativa dentro de nossas decisões, que não é um pequeno grupo de pessoas endinheiradas que decidem por nós, afinal já dizia o poeta na canção: “cada um de nós compõe a sua história e cada, ser em si, carrega o dom de ser capaz, de ser feliz.” Este novo ano nos trará a oportunidade ímpar de compormos nossas metas e lutarmos por aquilo que acreditamos, mas que, de algum modo, somos intimidados a lutarmos.
Riachocruzenses, amantes de suas famílias, seus amigos, amores... todos nós, pretos e brancos, altos e baixos, gordos e magros, ricos e pobres, mas especialmente os pobres, saúde, felicidades e muitas realizações e liberdade em 2010!
Não nascemos para vivermos cativos nas jaulas de uma cidade, presos a um sistema sempre mais opressor, portanto ganhemos as asas de nossa libertação e voemos para nossos sonhos e transformemo-los em realizações. É como diz Leonardo Boff, filósofo e teólogo: “se, na vida, perdermos os sonhos, perderemos as motivações para vivermos”.
Por fim, encerro com as palavras do saudoso Mahatma Gandhi: “seja a mudança que deseja ver no mundo”.

Rillen Rossy Rocha Reges
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